Eu não ousaria chamar esse pequeno bilhete de carta. Talvez chame somente para te impressionar, embora ache que já não temos necessidade disso. Mas você sabe, nunca fiz nada por necessidade. Escrevo esse pequeno esboço, que posso te mandar um dia, porque lembrei do dia que me mostrou uma foto. Você provavelmente não percebeu, mas achei aquilo fabuloso. A foto era de uma simplicidade incomunicável, eu a olhei por alguns momentos, e olhei depois que você não viu, que ainda olhava. Olhei, aquela foto simples, mas que naquele momento pra mim guardava tanta coisa - não sei porque mantive esse pequeno momento de beleza em segredo. A foto é simples, uma criança, com uma cara que está entre assustada e tentando se impor, você sabe pra mim as vezes é difícil distinguir suas feições, nem sempre sei ao certo o que diz, ou talvez tenha medo de saber. Mas seu rosto - sim era tu aquela menina - transitava entre esses sentimento intangíveis. E eu fiquei paralisado pensando algumas coisas, que conside...
Eu senti um vento passar por aqui, não um vento qualquer um vento forte frio. Esse vento que corta não só as defesas do meu corpo, mas também as defesas da minha alma, me lembra, inviavelmente você. É estranho, mas é como se você estivesse aqui comigo, por isso te escrevo a um oceano de distância. Eu sei, eu volto logo, talvez chegue antes que essa carta, mas só a possibilidade de entregar esse inesperado vestígio da lembrança do que há entre nós, me dá certa alegria, eu acho que você me entende. Certamente você sabe porque o vento me lembra você. Não é por causa do frio somente, mas porque você é filha de um vento que atravessa o lugar onde nasceu. Fiquei pensando na sua relação com os ventos, com as brisas com o som disso que não podemos pegar, mas que por vezes nos pega por inteiro. Te mando essa carta porque nada do que digo é urgente, talvez menos urgente que nosso amor, que estranha as distâncias desde sempre, mas suporta, na tentativa de acostumar. A nossa urgência...