Eu não ousaria chamar esse pequeno bilhete de carta. Talvez chame somente para te impressionar, embora ache que já não temos necessidade disso. Mas você sabe, nunca fiz nada por necessidade. Escrevo esse pequeno esboço, que posso te mandar um dia, porque lembrei do dia que me mostrou uma foto. Você provavelmente não percebeu, mas achei aquilo fabuloso. A foto era de uma simplicidade incomunicável, eu a olhei por alguns momentos, e olhei depois que você não viu, que ainda olhava. Olhei, aquela foto simples, mas que naquele momento pra mim guardava tanta coisa - não sei porque mantive esse pequeno momento de beleza em segredo. A foto é simples, uma criança, com uma cara que está entre assustada e tentando se impor, você sabe pra mim as vezes é difícil distinguir suas feições, nem sempre sei ao certo o que diz, ou talvez tenha medo de saber. Mas seu rosto - sim era tu aquela menina - transitava entre esses sentimento intangíveis. E eu fiquei paralisado pensando algumas coisas, que conside...