Ontem pareceu um dia um pouco absurdo. Dias assim, parecem exigir escolhas. Eu te escrevo isso, que fatidicamente chamarei de carta, na vã esperança que compreenda. Não sei até que ponto consigo entender o que aconteceu. Olhar o seu sorriso diante do mar me pareceu uma cena cinematográfica. O momento que nos abraçamos, ainda um pouco contidos, parecia condensar tanta coisa, que agora, ainda, é difícil dizer. A quanto tempo nos conhecemos? Na maioria das vezes sinto que te conheço a mais tempo do que de fato nos conhecemos. Não quero exatamente voltar ao dia em que fomos apresentados, mas hoje é incontornável esse retorno. Você nem imagina, mas já conhecia o seu sorriso de uma foto. De alguma forma já tinha me chamado atenção, não sei o que, nem como, mas aquela foto, ou melhor, você naquela foto. Não sei explicar, e todos esses sentimentos recentes, aparentemente inexplorados, são de todo modo inexplicáveis, e qualquer tentativa, temo, seria só uma forma de adiar a incompreensão. ...